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31 de maio de 2010

A Incrível Popularização da Moda Fetiche

Há anos atrás, quando fazia meu trabalho de graduação na faculdade falando sobre subculturas, moda undergound e alternativa, nunca imaginaria que as roupas estilo fetiche, chegariam tão rápido à moda mainstream. Isso porque tive que explicar o que eram ballet heels, falei sobre a origem, simbologia e o uso do látex, vinil, couro e outros materiais usados nas peças de roupas fetichistas, peças tão obscuras e desconhecidas de todos há poucos anos atrás.

Outro dia vi um clip das Pussycat Dolls em que uma das garotas estava usando calça de vinil e fiquei surpresa de ver aquela calça na mídia. Depois, na academia, dou de cara com um clip da recém lançada Lady Gaga num look preto de vinil e meu queixo caiu, pois dessa vez era um look vinil total sendo exibido num clipe ao redor do mundo. A mesma artista, posteriormente, usou outras peças em látex ou vinil na mídia. Boa parte da popularização da moda fetiche, é por conta do exibicionismo de Gaga, inclusive popularizando os sapatos sem salto.

Óbvio, como nenhuma artista quer parecer fora de moda, a competição por "estar na moda" aparece e até Beyonce e Rihanna já usaram ballet heels e vinil em seus vídeos. Recentemente, os looks do clip novo da Christina Aguilera são pura moda fetichista. Até parece que andou lendo umas revistinhas especializadas...

Ah, claro, também não podemos nos esquecer da popularização de Dita von Teese, a ex-Marilyn Manson (foi por causa dele que a mídia mainstream americana a conheceu) domina a mídia há algum tempo explorarando a estética "fetiche + Pin-up".
Uma das responsáveis por fornecer essas roupas às celebridades, é Atsuko Kudo, antes apenas uma desiger de roupas de vinil e pvc de alta qualidade e com público restrito, hoje é praticamente uma celebridade, já que todos querem saber de quem é a roupa que determinada celebridade está usando.

Acho que assim como o corset (também uma peça muito usada nas subculturas) caiu no gosto popular pelo apelo da mídia e artistas, o mesmo pode ocorreu com a moda fetichista: toda mulher querer ter sua legging que lembra vinil. A forma como a moda das subculturas está sendo sugada e massificada, tirando sua essência de ser justamente uma moda que não é popular e usual é espantosa.

Popularização da moda fetiche: Cantoras pop em modelitos antes restritos à subculturas.


Clipe de Christina Aguilera. TG Clothing é uma das marcas que identifiquei ao ver o clipe.

Christina Aguilera - Not Myself Tonight

30 de maio de 2010

Fashion Art Toronto

Assim como Nova York, Londres e Berlin, Toronto também tem uma semana de moda alternativa. As semanas de moda alternativa são ótimas porque possibilitam que pequenos designers tenham espaço pra mostrar seu trabalho. Por enquanto não temos nada igual aqui no Brasil.

O evento da semana de moda alternativa de Toronto, se chama Fashion.Art.Toronto.
Selecionei algumas imagens dos desfiles mais interessantes ao blog.

Artifice Clothing, a marca, já falada por mim aqui, fez um desfile com uma amostra dos melhores trabalhos da designer criadora da marca, começando com uma modelo caminhando com ballet heels com auxílio de muletas (é assim mesmo que se anda nesses sapatos), passando por "gêmeas" caminhando amarradas, lindas peças em pvc feito à mão. 



Starkers by Diana DiNobile: A marca apresentou sua coleção de corsets sofisticados e elegantes com muitas texturas diferentes. Perfeitos pra uma noite na ópera, já que ópera foi o tipo de música cantada durante o desfile da marca.

 

Pippa: Látex! Coleção inspirada nos esportes de campo e somente em tons pastel. Muitos designers tem trabalhado com látex de forma muito criativa recentemente, fugindo do óbvio e fazendo peças em látex de peças que fazemos em tecido. Antes se usava o látex apenas pra roupas estilo fetiche ou conceituais, ficando com uso limitado. Hoje, está cada vez mais sendo usado em peças estilo passeio, pra sair, ir a eventos.


Wrath by Asphyxia: a marca de Alexandra De Francesco. Rendas, cetim, estampas em branco e preto, o desfile foi, na verdade um trabalho bem artístico com interessantes misturas de texturas! Contrastante o uso das botas plataforma com vestidos em cetim e renda, algumas vezes esse modelo de bota "estragou" o look, chamando mais atenção que as peças. Muito cuidado ao escolher os acessórios para um desfile, eles podem matar a idéia de um look.


Fashion Whore: Uma de minhas marcas favoritas na moda alternativa, que costuma fazer peças com tecidos coloridos com estampas lúdicas, surpreendentemente, a marca, que costuma fazer roupas em algodão, apresentou uma coleção em PVC! A marca que sempre trabalha com peças divertidas, teve a coleção inspirada em Alice no País das Maravilhas (nunca fui fã da história de Alice in Wonderland e não aguento mais tudo ser "Alice"! Tá muito massificado, chega!). Bom, as cores eram bem fortes, que eu adorei.


Jessica Mary Clayton: Elegância Avant-Garde. Um pouquinho entediante, mas ok.

 

Futurestate: Mais uma de minhas marcas canadenses preferidas. Coleção que uniu gótico, cyber, fetiche e militarismo num cenário pós-industrial. Coleção toda em negro em peças super usáveis!


Dystropolis by Wendy Ng:  Adorei tudas as peças! Os recortes, texturas, caimentos em pele, pvc, chifon, organza, crepe, vinil, renda... Todos os looks super coesos. Inspirado em alice no País das Maravilhas (ela de novo!) num mundo cyber.



Kirsty McKenzie: Colorida, divertida e alegre. Estampa animal, PVC, renda, cores elétricas. Tudo bem exagerado, típico  do trabalho da designer que também costuma fazer figurinos excêntricos.

Aimée Tobolka: muita transparência, peças em renda e vinil.


Ryerson School of Fashion: Desfile que apresentou trabalhos de alunos do terceiro e quarto anos desta faculdade.


Bored Collective: Kat O'Shaughnessy e Shilo Anne Morton fizeram uma coleção irreverente dedicada a irônica futilidade do "tradicional" status quo. Sinceramente só gostei do vestido de caveira e dos looks das duas designers.


Imago zine Performance by Tara Manson: A designer debutou num desfile feito em parceria com uma performance feita pelo zine Imago. Eu adorei as peças da Tara e a performance.

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