Destaques

22 de junho de 2012

Picnic Vitoriano Curitiba: Chá das Cinco com Anna Russel

O grupo Picnic Vitoriano Curitiba, que é o pioneiro na realização deste tipo de evento no Brasil, divulgou as fotos do Chá das Cinco com Anna Russel realizado no dia 16/06 na loja LaLoïe Corseterie. Os trinta participantes estavam belissimamente trajados e alguns deles foram premiados pelas lojas patrocinadoras.
O Picnic Vitoriano Curitiba de 2012 já está pré-agendado para novembro. O grupo em breve divulgará o flyer que publicarei aqui ou na álbum de fotos do Moda de Subculturas no Facebook chamado "Eventos Apoiados pelo Blog".

Abaixo algumas fotos do Chá clicadas por Lincoln Schindler. Vocês poderão ver muito mais acessando o álbum de fotos no Facebook e o site do PVC.
 
 

12 de junho de 2012

A "Lei de Laver": A Moda e o Tempo

James Laver foi um historiador de moda que estudou principalmente como fatores econômicos e sociais influenciam o gosto e as escolhas de moda dos indivíduos. Em 1937 ao lançar o livro "Taste and Fashion", publicou uma tabela que mostra como reagimos às tendências de moda do passado e futuro.

A tabela explica porque nos interessamos por determinadas Eras da Moda, por exemplo, repararam que os picnics vitorianos/históricos normalmente fecham as datas na Era Eduardiana ou Belle Époque? Já ouviram falar que nos anos 80 fazer festinhas aos estilo anos 50 eram o máximo entre os jovens adolescentes? Por que será? 

Vamos dar uma olhada na tabela de Laver que montei pra vocês, segundo ele uma moda é...

Segundo a tabela (que é atemporal), acharemos a moda de a partir de 150 anos atrás LINDA!
 

A moda de 100 anos atrás seria considerada "ROMÂNTICA". 

A moda de 70 anos atrás, "ENCANTADORA":

A moda de 50 anos atrás, "CURIOSA":

A moda de 30 anos atrás, "DIVERTIDA":

A moda de 20 anos atrás, "RIDÍCULA":

A moda de 10 anos atrás, "MEDONHA":


A tabela diz que uma moda que está 10 anos à frente é considerada "INDECENTE". 
O que consideramos indecente hoje? Roupa de "piriguete"? Homens de shortinho? Mais sugestões?

Ao pesquisar pra esse post, descobri outros dois blogs brasileiros que abordaram o tema. Peguei umas imagens deles: link 1 e link 2.

11 de junho de 2012

Eco Bags da Vudu

A Vudu é uma loja que tem me chamado a atenção não apenas por suas peças em estilo retrô quanto pelo fato notável que a qualidade de seus produtos está melhorando e a variedade aumentado com o tempo.
A primeira vez que caí na loja foi atrás de acessórios de cabelo. Tempos depois eles lançaram uma coleção de eco bags inspiradas em filmes de terror dos anos 40 e tinha bolsa dos meus preferidos: Frankie, Drácula e O Gato Preto! E o melhor: tudo na loja tem preço acessível. O mais legal é que as bolsas se dobram de forma a virar uma bolsinha de mão.
Alternativos interessados em ter estilo até na hora de fazer compras, a dica está dada!


Como conquistar um cliente:
A compra chegou numa caixa personalizada com um adesivo do Elvis de levar qualquer rocker à loucura. Belamente embrulhada, ensacada, cheirosinha (sim! levemente perfumada) a eco bag é imensa e de algodão resistente.
Plus vem cartão postal e mini tag explicando como cuidar da peça. Jogar essas caixinhas fora? Nem pensar! Elas estão tendo um futuro ecológicamente correto: estão sendo reutilizadas! Decidi guardar nelas meus catálogos e cartões postais das lojas de moda alternativa!
Alguma dúvida que comprarei nessa loja de novo?


Porque focar somente nas eco bags sendo que a Vudu tem outras peças interessantes? Bom, nunca se falou tanto em sustentabilidade.

Peças Alternativas Estrangeiras Superfaturadas?

Estava vistando um blog que acompanho, o Retrô Rock e ao ler o post linkado abaixo, percebi como a Aline, dona do RR, soube abordar este polêmico tema dignamente:
Quando consumimos, é preciso saber diferenciar o valor de peças feitas sob medida, peças personalizadas - das peças produzidas em massa. As peças personalizadas costumam ser mais caras. A fabricação em massa surgiu exatamente para baratear as coisas e consequentemente estas "coisas" tem qualidade inferior. Acessórios e bolsas artesanais, corsets, são valorizados e um pouco mais caros de forma justa.

Mas vejamos o exemplo que o Retrô Rock deu: a venda de produtos alternativos (importados) fabricados em massa, revendidos com mais de 300% de lucro. Assim como uma das garotas que comentou no Retrô Rock, eu já entrei num site internacional de revendas e uma paleta de sombras com 120 cores é vendida por $9,00. A mesma, em site nacional, era vendida por uns R$160. Outra moça comentou algo que já escrevi aqui no blog, o fato de muitas dessas lojas importarem sem nota fiscal, ou seja, na ilegalidade, sem pagar impostos e depois cobram os impostos fictícios de você, consumidor.

Eu tenho um exemplo pessoal: decidi comprar um sapato novo para uma festa importante, busquei nas lojas nacionais e não achei nada do meu gosto, encontrei um modelo exatamente como queria numa loja alternativa que revende peças importadas à pronta-entrega (não ia dar tempo de eu importar direto do site americano).
O sapato, em dólares custava $41,99 na cotação da época. Em reais, seria um valor aproximado de R$74,00. Se a pessoa me vendesse por R$150, ela estaria tendo um pouco mais de 100% de lucro, o que é ótimo, pois ela recebe 100% de volta o dinheiro que gastou. Mas a pessoa revendia o sapato por R$310,00!

Sejamos sensatos: se a marca americana vende o sapato por aproximadamente R$74,00, supõe-se que a QUALIDADE do produto seja equivalente ao preço. Por que a loja nacional ao invés de revender com 100% de lucro, me revende por mais de 200% do valor que aquela peça vale? Aliás, essa marca alternativa americana é famosa por seus calçados terem preços acessíveis.

CLARO que não fiz a compra pela loja nacional. Vale mais importá-lo direto dos EUA e pagar o somente o valor do calçado + frete. E nesse caso nem se trata de "apoiar" lojas alternativas nacionais, porque a tal loja SÓ trabalha com produtos importados, mas veja bem: a loja PERDEU cliente! Eu não vou comprar lá sabendo dessa disparidade de preço x qualidade. E eu poderia comprar sempre se o preço fosse justo...

Mas calma, tem gente honesta na rede! Eu já comprei várias vezes com lojinhas alt. que importam e paguei bons preços pelos produtos (basta comparar o valor do produto no site gringo e na loja nacional), mas ó, tem que procurar porque elas são raras! =)

Herchcovitch x Roupas para a Classe C e D

Hoje começa o SPFW e o estilista Alexandre Herchcovitch apresentará sua coleção inspirada em um de seus ídolos, o cantor New Wave Boy George. O desfile promete misturar undergound e sofisticação.
"Foi a coleção mais difícil de fazer até hoje, porque é a minha visão sobre um ídolo. Em 1983, tinha 12 anos, e lembro de estar em casa assistindo ao Fantástico, e vi "Karma Chameleon". Pensei..."Olhe essas roupas, essa maquiagem, essa coisa toda? Já pode isso?" Fascinado, comecei a colecionar coisas dele e virei fã incondicional", diz o estilista. Os chapéus da coleção foram desenhados por Stephen Jones, que também faz os chapéus do cantor.

Enquanto aguardo pra ver o desfile de AH, acabei de ler uma entrevista com ele, que é o estilista brasileiro mais bem sucedido, onde diz que estilistas devem criar também para a moda popular. Fato que de certa forma já acontece, diversos estilistas nacionais renomados já criaram para, por exemplo, a C&A e a Riachuelo, lojas voltadas ao público C.

E pensei no seguinte: o que ele diz, também serviria para lojas alternativas nacionais?
Em recente post (E a Moda Alternativa no Brasil, como anda?), uma das maiores reclamações dos leitores do blog é a falta de coerência entre preço x qualidade das peças alternativas vendidas por aqui. Normalmente a loja põe 200%, 300% de lucro no valor final de um produto sendo que 100% de lucro seria o valor justo pela qualidade do material.

Quem é mesmo que mais consome moda alternativa?
-Pré-Adolescentes
-Adolescentes
-Jovens
-Jovens adultos

Uma boa parte destes jovens, com certeza, é classe C ou D. Estudos sociológicos da área de Moda comprovam isso, afinal, rebelde rico compra grife, não é mesmo? Os jovens consumidores vivem de mesada dos pais e quando começam a trabalhar nem sempre sobra muita grana pra gastar em tudo que querem. Só quando já estão no nível "jovem adulto", formados e com um emprego fixo é que passam a consumir peças mais caras e parceladas.

O que vocês acham? É possível uma moda alternativa com preços mais acessíveis voltada à verdadeira classe social pertencente dos seus consumidores, a classe C e D? Isso seria válido para nosso mercado alternativo que já é tão pequeno? Ou a classe social deve ser deixada de lado, focando-se apenas no valor "estético e original" de um produto?

Abaixo, frases interessantes na entrevista do Alexandre:
"Vamos cair na real, gente. O Brasil tem expertise de fazer roupa popular. A gente também tem que olhar para isso. Hoje, quem quiser sobreviver no Brasil e competir vai ter de fazer produtos para as classes C e D."
Sobre a concorrência com grifes internacionais: "Nossa roupa não é bem feita, não dá pra competir, não temos o mesmo acesso aos tecidos. Se compramos esses tecidos, a peça fica caríssima. Faço a melhor roupa possível num padrão que me permita vender no Brasil."

Fonte: Entrevista na Folha Ilustrada (tem que ser assinante uol ou da folha pra ler a matéria completa).

Aos que "Curtem" o Moda de Subculturas no Facebook...

Queridos leitores, fiquei sabendo que algumas pessoas que "curtem" a página do Moda de Subculturas no Facebook não estão recebendo todas as atualizações do blog. Nas recentes semanas, o Facebook (aquele site que diz em sua página inicial que "é gratuito e sempre será") está cobrando dos  donos de páginas com mais de 400 "curtir" que paguem uma quantia para que absolutamente todos os fãs da página recebam todas as atualizações. Como esse blog não tem fins lucrativos (como uma boa rebelde, estou sempre nadando contra os modimos em blogs), explicarei o você deve fazer  para receber todas as atualizações do blog em sua página pessoal do FB:

Método 1:
Interagir com a página do Moda de Subculturas com frequência garante que você receba os feeds no seu perfil. 
Exemplo: entre na página do blog e procure lá mesmo as postagens novas (e antigas), vejas as fotos, comente, curta, compartilhe, enfim, qualquer ato que deixe um rastro de que você tem interesse naquele espaço. 

E isso vale para todas as outras páginas que você curte! Eu mesma curto centenas de bandas e páginas e não recebia as atualizações de todas, quando comecei a acessar tais páginas diretamente, em pouco tempo, passei a receber os feeds.

Método 2 (recomendo muito que façam isso!):
Vá na página do blog e passe o mouse em cima do "curtiu"; a opção "mostrar  no feed de notícias" deverá estar ativada:

E então você pode clicar em " + nova lista", nomeá-la e colcar o blog nesta lista (e diversas outras páginas que vocês curtem), selecionando a página do blog assim:


Fazer esta lista te dá garantia de que receberá as atualizações das páginas que "curte". Então, você precisa basicamente interagir com as páginas que é fã! Quanto mais sinaliza que gosta e que tem interesse, mais recebe os feeds.

Bom, quem sabe com as dicas acima, desta vez todos fiquem em dia com os feeds do blog no Facebook. Mas em todo o caso, não esqueçam que o blog está sempre aqui neste endereço esperando a visita de vocês! =D


8 de junho de 2012

Cakeland por Scott Hove

As esculturas e as instalções do artista Scott Hove me chamaram a atenção. Primeiro, por um motivo óbvio: dei de cara com um sapato altíssimo, daqueles cheios de spikes, com uma bocona aberta cheia de dentes pontiagudos digno do estilo heavy metal/black metal mais agressivo e aterrorizante!

Esta coleção de arte, chamada Cakeland foi inspirada no interesse do artista por comida, objetos artificiais e sua obsessão por coisas belas e brutais. Todas as esculturas tem um "mecanismo de defesa" para protegê-las de quem as deseja possuir. Por exemplo, a escultura-sandália que eu adorei, é chamada de “Self-Objectification Strategy” e na parte de trás do calcanhar tem um anexo onde há um canivete escondido. Ou seja, se eu desejar possuir aquela escultura, ela lançará seu canivete sobre mim! Adorei isso!!
Hove diz que todos amamos bolo e o que ele significa: celebração, ocasiões importantes, indulgência, recompensa... Ele considera que estamos dispostos a tolerar a idéia de algo artificial para representar o que nós desejamos. Estas esculturas celebram a beleza, a ganância e o absurdo em que todos nós participamos. Os bolos são de espuma de poliuretano decorados com uma variedade de géis de acrílico feitos ferramentas tradicionais de decoração de bolos. A seguir, são colocados diversos acessórios: espelhos, navalhas, mandíbulas de taxidermia, pílulas...
Achei um trabalho incrível, e vocês?

6 de junho de 2012

II Picnic Vitoriano São Paulo

O grupo PVSP convida a todos para participarem do II Picnic Vitoriano de São Paulo que será realizado dia 01 de julho de 2012 na Serraria do Parque Ibirapuera. 

Segue o panfleto com as informações (clique para aumentar):
Nesta edição, além das lojas patrocinadoras premiarem os melhores trajes, também serão premiados melhores penteados e melhores utensílios, ou seja, se você se dedicar a tentar reproduzir as louças e objetos da época, poderá sair de lá com um prêmio!

No blog do grupo vocês encontram absolutamente todas as informações necessárias sobre o evento e ainda tem tutoriais de como adaptar roupas atuais para montar releituras de trajes históricos. Recomendo que sigam o blog para manterem-se atualizados e caso queiram tirar dúvidas, debater e trocar idéias, o Grupo PVSP no Facebook é bastante ativo.

5 de junho de 2012

Zombie Boy na Gore Noir

A revista especializada em temas de terror e gore, a Gore Noir Magazine, tem sua quinta edição dedicada aos zumbis. E na capa, claro, só podia dar ele: Zombie Boy.
Gosto de ver ele trabalhando pra publicações alternativas - como fez recentemente para a Elegy - e deixando um pouco de lado os trabalhos mainstream. Abaixo algumas fotos usadas na matéria, clicadas pelo fotógrafo Kobaru.
Mais sobre Zombie Boy AQUI.

31 de maio de 2012

T.U.K x Charlotte Olympia x Melissa

Zapeando em alguns blogs e sites de moda, eu percebi como o sapato de gatinho da Charlotte Olympia está provocando desejo de consumo até nas garotas alternativas. Mas ao bater o olho nele eu percebi que ele pode ter sido inspirado num sapato da marca alternativa T.U.K

Então, esse é mais um post da sessão "Inspiração ou Cópia: Alternativo x Mainstream", que já teve as seguintes postagens relacionadas:

Charlotte Olympia x T.U.K

O Charlotte Olympia é feminino com um gato de ar sério e de olhos puxados bordados. Já o "original" da marca T.U.K em suas variáveis versões tem solado creeper, forma arredondada e gatinho simpático de olhos curiosos bem redondos. A marca lançou também uma sapatilha mais delicada com o gato aplicado em metal.


Impossível não comparar os T.U.K com a Mini Melissa Ultragirl Gatinho. Também suspeito ter sido inspirada nos T.U.K. Juro que se a marca tivesse feito em tamanhos adultos eu teria comprado uma pretinha hehe! (adorei que o buraquinho na ponta da sandália se transforma na boquinha aberta do gato).


É a moda alternativa dando fôlego de novidades ao mundo da moda efêmera.

PVSP: Passeio na Virada Cultural

Deixando registrado aqui no blog algumas fotos do Passeio Fotográfico na Virada Cultural realizada pelo PVSP (Picnic Vitoriano São Paulo). O grupo partiu da Estação da Luz em direção ao stand do grupo Steampunk A.S Rosa Negra na Câmara Municipal de SP.
Para mais fotos, acessem o perfil do grupo no Facebook no link abaixo:
Achei o máximo a releitura purista de Edward VII e da Rainha Alexandra e depois a versão Steampunk dos mesmos com a "rainha" (e o rei!) mostrando as pernas e a liga. A título de curiosidade, a "Rainha Alexandra" era Priscila Fernandes, a vencedora do concurso Lady e Lord Vitorianos. =)

 

Encontro com o grupo Steampunk A.S Rosa Negra
 

24 de maio de 2012

Subculturas Alternativas: Consumo, Imagem e Moda (Parte 3)

A Monocultura, tema do post anterior, se baseia na idéia de o capitalismo ter chegado ao ponto extremo de abraçar as subculturas como parte do mainstream, já que estas deixaram de fazer resistência aos valores da cultura dominate. O capitalismo é a chave de entrada desta postagem. Para isto, foquem nos valores comerciais, econômicos e visuais dos dias de hoje; pensem em comportamento consumidor. Vivemos numa sociedade em que absolutamente tudo é fabricável, desejável e comprável. 

                    Subculturas Alternativas: Monocultura
                 
Vivemos na Era da Imagem
Não é preciso ler, mas é preciso ver! A prova é a quantidade de blogs e redes sociais que surgiram nos último anos. Tumblr é um blog cujo formato tem foco na publicação e re-publicação de imagens muitas vezes sem suas fontes de referência, um formato que passa a idéia de um mundo (de imagens) sem dono. As redes sociais Pinterest, I (heart) it, Instagram, Flickr, DeviantArt, Picasa, Fotolog, 500px, TweetPic, Orkut, Google + e Facebook, também tem foco na publicação de imagens. Quem nunca ouviu frases do tipo “tirou foto só pra postar no Orkut/facebook”? E honrando o nome do capitalismo: Fashiolista! A rede social onde as pessoas postam imagens das roupas e acessórios que desejam comprar. Até a plataforma Blogger se rendeu à era da imagem, vejam o Moda de Subculturas em versão flipcard:

O Alternativo se Apoderando de Hábitos de Consumo da Cultura Dominante
Quando pensamos em subculturas como a punk, a gótica e a rock/metal, lembramos de suas origens de jovens rebeldes, contestadores, questionadores, avessos às regras impostas pela sociedade e em alguns casos, com atitudes anti-capitalistas. Ser alternativo não era simplesmente ficar com o lado divertido da vida, era também buscar uma nova forma de evolução humana. As roupas entravam como expressão da criatividade, uma novidade estética proposta por estes grupos que não necessariamente visavam serem “aceitos”, mas mostrarem diferença de idéias.
A customização de roupas entre os punks era de praxe. A moda gótica tinha seus estilos de moda bem dividos - hoje, na moda gótica, há mais do que nunca a mistura de estilos. Estilo Heavy Metal? Antes uns spikes, botas e camistas pretas; hoje, existem marcas que fazem roupas específicas pra esse público que sempre disse “odiar moda”. Um novo segmento de moda alternativa surgiu no exterior, a “high alternative”, marcas que investem em roupas semi-alta costura, materiais caríssimos e algumas vezes conceituais. Quem diria que a moda alternativa se renderia ao luxo?
Roupa é uma linguagem que as pessoas empregam para se comunicar uns com os outros indicando interesses comuns ou envolvimento com atividades semelhantes. Individualidade e mente aberta são características da moda alternativa, porém, em algumas cenas alternativas, estar “bem vestido” é algo que dá status (assim como na moda dominante).
Se a proposta do alternativo é ir contra ou num caminho paralelo ao que o mainstream impõe como moda a ser seguida, porque está absorvendo o mesmo estilo de vida e de consumo? É inevitável? É parte da monocultura? Na sociedade de consumo "ter" é "poder". Se você tem a estética ou o produto do momento, você tem status, é popular, admirado e copiado. O que você consome forma a sua imagem perante os outros.

Blogs Alternativos x Publicidade e Consumo
Recentemente, populares blogs alternativos passaram a oferecer publicidade paga, o que mostra como certos blogs são tão acessados diáriamente que as marcas viram neles janelas para seus produtos. Como resultado, os blogs alternativos se profissionalizam através do patrocinio das marcas e conseguem oferecer aos leitores um conteúdo mais seletivo. Nestes blogs há espaço para publicidade paga ou patrocinada nos lugares mais atraentes da primeira página levando o leitor a clicar num banner e ser redirecionando para lojas de roupas, acessórios e maquiagens. O que nossas blogueiras preferidas usam, confiamos, queremos e compramos! Seja para ficar igual à elas, para ter o produto do momento e ter status, para satisfazer um desejo de consumo. Seria o impulso do sonho de se tornar alguém que não se é comprando a mesma coisa que elas? Seria o consumo pela vontade, pela pessoa linda e maravilhosa que o produto diz te transformar? Ou seria apenas o consumo por indução?
Também há um novo segmento de blogs alternativos cujo foco são testes de produtos cosméticos, “compras da semana ou do mês”, os já famosos “look do dia” em fotos deliberadamente montadas e planejadas. Os objetos de consumo que a blogueira compra, refletem suas idéias, personalidade, desejos materiais e sua classe social; afinal, quantas blogueiras postam que compraram determinado produto especialmente caro ou importado sabendo que algumas de suas mais fiéis leitoras nunca poderão comprá-lo, apenas desejá-lo e admirá-las por seu poder consumidor?
- Há Algo de Podre no Reino dos Blogs de Moda e Beleza  (não é uma matéria sobre blogs alternativos, mas dá idéia do ponto que os publiposts chegaram).
Blogs alternativos costumavam ser fonte de conteúdo diferenciado, novo ou inovador e se tornaram adeptos do consumo pela “imagem e desejo”. Hoje mais forte que a preocupação de ser “ser” é a de “ter”, e é cada vez mais raro encontrar blogs com conteúdo autoral ou inédito já que quando um formato ou tema de um blog faz sucesso, logo aparecem outros com conteúdo igual ou semelhante.
Neste mundo de consumo, existe também a publicidade velada e gratuita do “curta”, “tweete” e “compartilhe” o link de uma loja e seu sorteio. Nestes sorteios, você divulga uma marca em troca de uma chance de ganhar um produto. No instante em que você “curte” ou “compartilha” o sorteio, você promove a marca e lhes fornece mais “seguidores”; ao mesmo tempo, você arranja centenas de concorrentes e suas chances de ganhar o produto caem drásticamente. Antes um sorteio dependia apenas de sua participação, a divulgação do mesmo era por conta da marca. Hoje, depende de você divulgá-lo para poder concorrer. É um marketing muito barato para as lojas, já que é você quem faz o trabalho de divulgação de graça em troca de uma chance de ganhar um objeto de desejo.

E isso tudo são coisas más?
Não necessariamente. Isto é apenas um reflexo dos hábitos de comportamento e de consumo dos alternativos atuais, cada vez mais dispostos a consumir e a vender. Cada vez mais dentro da máquina que faz o mundo girar. Será mesmo que a monocultura nos engoliu e agora não repudiamos mais hábitos da cultura de massa?

Estética Alternativa Fabricada em Massa
A moda alternativa existe há pouco mais 30 anos e atualmente está no seu auge de fabricação em massa, variedade e acesso ao público. As marcas se desenvolveram muito na última década com a ajuda da Internet e com a mão de obra barata de países asiáticos como Camboja, Vietnã, Paquistão, Bangladesh e Índia que confeccionam roupas e acessórios a preços extremamente baixos. Já a China fabrica de tudo um pouco e em muita quantidade e Taiwan produz a preços baratos imitações das marcas alternativas de Harajuko e de grandes grifes européias.
Até o começo dos anos 90 houve criação e inovação estética na moda alternativa. Mas de lá pra cá, pouco foi criado em relação ao que foi reciclado e torna-se cada vez mais comum a apropriação de tendências da moda dominante. Tínhamos a idéia de que criações alternativas são únicas, exclusivas e especiais, completamente ao contrário dos produtos massificados e produzidos em grande quantidade que as marcas “normais” tentam vender.
Com a moda alternativa sendo fabricada em grande quantidade e a proliferação das imagens das mesmas através de blogs, redes sociais e a Internet em geral, o que se vê é uma moda alternativa globalizada: a estética pin-up retrô se espalhou pra todas as áreas; dançarinas burlescas pipocam aqui e ali; todas as mulheres sonham com um corset; cabelos em cores fantasia estão mais populares do que nunca; tattoos de caveiras mexicana deixam todos com o mesmo desenho na pele; o Steampunk deu um salto de popularidade; moda inspirada em épocas antigas nunca esteve tão em voga. Todas as estéticas se proliferam num click! Todos querem ser diferentes, autênticos e individuais, mas aparentam mais iguais do que nunca antes foram.

Marcas Alternativas Desejando o Público Mainstream
Recentemente, uma corsetmaker alternativa, postou em suas redes sociais que estava super feliz porque Lady Gaga usou uma peça sua e isto poderia trazer muitos mais consumidores pra ela. Durante sua carreira, a estilista teve seu foco no público underground e alternativo. Qual o motivo de uma corsetmaker de sucesso no meio alternativo desejar que sua marca seja reconhecida pelo mainstream? Reconhecimento de seu talento e de suas peças? Isso ela conseguiu através dos anos na cena alternativa que divulga sua marca em diversas mídias. A resposta pode ser “satisfação financeira”.  Em nossa sociedade entendemos que ter sucesso ou ter seu talento reconhecido está ligado à dinheiro. Foi se o tempo em que corsetmakers criavam apenas pro mini-nicho do tight-lacing, para as góticas, se satisfaziam e viviam felizes contribuindo com o cenário alternativo underground. Hoje é preciso também desejar um público abrangente para que haja cada vez mais vendas.
Marcas alternativas de maquiagem como Stargazer, Illmasqua, Sugar Pill, Lime Crime, entre outras, tem estampado páginas de revistas mainstream. Será que há a possibilidade de que estas marcas optem por adequar parte de seus produtos ao mainstream para alavancar vendas?

A Moda Alternativa Copiando A Moda Alternativa, alguns exemplos:



- A moda de rua japonesa influencia a moda alternativa européia e americana. O que se vê nas ruas de Tóquio, alguns meses depois terá sua versão européia/americana; com tecidos diferentes e modelagem adaptada ao corpo ocidental.






- Uma marca asiática faz vestidos aos estilo 50 e tem escritório em Londres. Estes vestidos de estética retrô fabricados em massa são vendidos em lojas alternativas americanas, inglesas, alemãs, polonesas, suecas, australianas e lojas brasileiras que as importam. Praticamente todas as lojas, independente do país vendem as mesmas peças. O sucesso foi tanto que outras marcas alternativas passaram também a fazer vestidos retrôs em grande escala como forma de  concorrência; mesmo que algumas destas marcas sempre tenham tido foco na moda gótico-romântica...



- Iron Fist: A marca seguiu o princípio do conceito da moda alternativa que é: “criar algo novo ou ousado”. Criou sapatos de salto fino estampados. E claro que deu certo! Não havia algo semelhante no mercado! O público alternativo quer coisas diferentes! Por conta do sucesso dos produtos da marca, várias marcas alternativas copiaram a idéia da Iron Fist. Inclusive marcas cuja estética sempre foi focada em plataformas darks e futuristas que nunca focaram em salto fino por ser “mainstream e normal demais”.


- Um caso dramático já abordado aqui no blog, um caso de cópia não apenas de uma idéia, mas da assinatura de um estilista, o “corset camafeu” de Louise Black. Lojas européias e asiáticas já produzem diversos produtos (bolsas, blusas, cintos) oriundos de uma criação única e original: o corset da Louise. Não é bizarro que a própria Louise não fabrique as bolsas, cintos e blusas de “corset camafeu” e sim outras marcas que apenas pegaram a idéia e copiaram? A artista que teve a idéia inovadora não está lucrando nada com isso, já que ela optou por trabalhar com peças exclusivas e sob medida e não com fabricação em massa como as cópias que visam o lucro.
  - Project Runaway e Louse Black
  - Cópias na Moda Alternativa

Devemos considerar estranho ver uma marca alternativa copiando outra marca alternativa, ou esta atitude tão “moda dominante - lucro a todo custo” veio pra ficar? Não é no alternativo em que a criatividade total e sem amarras é liberada? Porque uma marca alternativa copia a outra? Creio que pela certeza de retorno financeiro já que é comprovado que determinada estética vende. Copiar o que deu certo com outra marca, fazer sua versão e vender, independente de ser um produto autoral ou não. Todos querem um pedaço do sucesso (e vendas) alheio. 

Concluindo:
Já debatemos muito neste blog que na era pré Internet era mais difícil encontrar roupas alternativas, tudo evoluía de forma forma lenta, embora existissem estilos variados. A Internet melhorou a comunicação e divulgação, temos acesso à todo tipo de informação e imagem. Há estilistas alternativos criando produtos super diferenciados e criativos e enquanto eles não caírem nas redes sociais e forem compartilhados ao extremo, sua arte será única e não massificada. A partir do momento que um público maior as conhecer, as cópias serão inevitáveis.
No Brasil, temos como referência de moda as tendências estrangeiras. Sempre foi assim porque eles são uma temporada à frente de nós. O mesmo acontece com a moda alternativa/underground: copiamos o que eles produzem. Mas não precisa ser assim, a Austrália, embora sofra influencias da moda européia e japonesa, é um país de clima peculiar e sua moda alternativa tem várias características próprias, adaptadas ao clima e ao público. O mesmo fez a Alemanha, Inglaterra e EUA que criaram versões para a moda de rua japonesa adaptados ao público e às particularidades climáticas de seus países. E no Brasil, espera-se que este seja o futuro de nossa moda alternativa, olhar pro exterior, mas criar de forma autoral, de acordo com nossos hábitos, clima e nossa criatividade sem esquecer do empreendedorismo, característica fundamental de líderes de negócio.

A criatividade deve sempre avançar e não regredir nem estagnar. O consumo da moda das subculturas deve ser um reflexo da criatividade e originalidade do público e não um consumo baseado na fuga de problemas, na ilusão de que um produto vai te fazer ser que não se é, essa é uma característica de consumo da cultura dominante.
Mas uma coisa eu sei, é característica do underground se refazer de tempos em tempos e sempre surpreender com algo nunca feito antes.


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