Como eu escrevi na postagem anterior, exibir uma roupa é mostrar o pertencimento a um grupo, mostrar significados através delas, e ninguém faz isso de forma mais explicita do que os membros de subculturas.
As tribos urbanas surgiram com o início da aceitação da existência da adolescência (anos 50). Nessa época haviam jovens e adolescentes em sua maioria, que faziam questão de ser vestir diferente de seus pais.
As tribos urbanas surgiram com o início da aceitação da existência da adolescência (anos 50). Nessa época haviam jovens e adolescentes em sua maioria, que faziam questão de ser vestir diferente de seus pais.
Na Alemanha pós primeira guerra mundial, os jovens, ao verem o país devastado, enxergavam-se sem futuro e sem esperança, o que refletia no cinema da época, o Cinema Expressionista Alemão, que nos deu filmes como Nosferatu e O Gabinete do Doutor Caligari, entre outros. O cinema era trágico, preto e branco e amedrontador. Refletia a vida de uma juventude traumatizada. Jovens desiludidos e depressivos.
Também podemos notar o surgimento do rock nos anos 50, com os garotos usando couro e coturnos (peça vinda dos campos de batalha), os jovens se rebelando nos anos 60 fazendo com que surgissem a moda jovem, nos anos 70 vemos surgir punks, góticos e headbangers que acabaram dando origem à outras subculturas nos anos seguintes.
As tribos urbanas surgiram de falhas sociais, “quando as morais vigentes desmoronam, as idéias não avançam ... essa é a forma ideal de renovação da arte de viver”, diz Patrice Bollon autor do livro A Moral da Máscara, que fala sobre o surgimento das subculturas. E então essas tribos, pra se diferenciarem e até mesmo chocarem a sociedade que os exclui ou que eles não se identificam, criam suas próprias regras de vestimentas e símbologias.
Os punks, os góticos, os emos, os hippies, os hard-rockers, são algumas das tribos que aceitam e usam a moda sem preconceito, expressam-se pelos símbolos de cada peça. Reconhecem a moda como objeto importante de suas identificações.
Os roqueiros e os ouvintes de Heavy Metal são os que mais tem preconceito com a palavra “moda”, exceto pelas meninas que, em grande maioria, gostam de roupas e aderem ao visual.
Por mais montado que um black metaller esteja, em calças de couro, pulseiras com spikes e maquiagem, ele raramente vai dizer que a moda é importante para ele. Ele vai dizer que moda é futilidade e ele não tem tempo pra isso. O mesmo vale para um roqueiro vestido em bermudas cargo e cabelos desgrenhados que diz que não se importa como está vestido. São casos típicos da falta de cultura de moda entre adeptos das subculturas que não sabem de onde veio aquele visual, não sabem a simbologia e nem porque estão usando.
Não os culpo por não assumirem que roupas são importantes e que elas os identificam no grupo. Isso é parte da mentalidade em que às vezes, a própria subcultura, uma subcultura mais fechada, preconceituosa e machista ou mesmo a sociedade em que vivem, impõe.
No exterior muitos roqueiros e headbangers já aceitam e assumem que gostam de moda. Inclusive há músicos do black metal que tem marca de roupas. Entre brasileiros, apenas uma pequena parcela assume a importância que as roupas têm para eles na subcultura em que ele vive.
E aí vem a pergunta, o mercado brasileiro de moda underground masculina é pequeno porque os garotos realmente não dão importância à moda ou porque eles não tem cultura de moda?
Sei que num país como o nosso, onde muitas pessoas são miseráveis e usam roupas de doações, é complicado colocar a roupa em primeiro plano, o importante pra eles é se alimentar para sobreviver. Mas quando uma pessoa se identifica com uma subcultura, é inegável que algo na vestimenta o atraiu, mesmo que inconsciente e muitos, não se interessam ou tem preguiça de descobrir o porquê de aquela tal roupa ou acessório ser usada por tal grupo.
Então, agora sabemos que toda tribo urbana tem sua cultura de moda e que essa moda é importante pra identificação das tribos. Essa moda das subculturas surgiu por conta de contextos históricos e sociais. Quanto mais os adeptos das subculturas valorizarem a moda de seus grupos, souberem as origens, mais o mercado cresce e, como subculturas sempre questionam a sociedade, também refletem em suas vestimentas o período histórico em que vivem.
E aí vem a pergunta, o mercado brasileiro de moda underground masculina é pequeno porque os garotos realmente não dão importância à moda ou porque eles não tem cultura de moda?
Sei que num país como o nosso, onde muitas pessoas são miseráveis e usam roupas de doações, é complicado colocar a roupa em primeiro plano, o importante pra eles é se alimentar para sobreviver. Mas quando uma pessoa se identifica com uma subcultura, é inegável que algo na vestimenta o atraiu, mesmo que inconsciente e muitos, não se interessam ou tem preguiça de descobrir o porquê de aquela tal roupa ou acessório ser usada por tal grupo.
Então, agora sabemos que toda tribo urbana tem sua cultura de moda e que essa moda é importante pra identificação das tribos. Essa moda das subculturas surgiu por conta de contextos históricos e sociais. Quanto mais os adeptos das subculturas valorizarem a moda de seus grupos, souberem as origens, mais o mercado cresce e, como subculturas sempre questionam a sociedade, também refletem em suas vestimentas o período histórico em que vivem.





















3 comentários:
Oi Sana,
Mais um ótimo post!
Eu acho que o mercado brasileiro de moda underground masculino é pequeno tanto porque os garotos não ligam muito para isso, quanto também porque não tem cultura para moda. Acho que uma coisa leva à outra.
Se não houvesse a "ignorância" e houvesse uma cultura maior em relação à moda masculina brasileira em geral, não só nas subculturas (eu não sou especialista no assunto de moda como você, é apenas uma pinião pessoal hehe), talvez os homens se interessassem e ligassem mais para a moda. Apesar que eu acho que isso aos poucos está mudando. Acho que é meio cultural do brasileiro achar que moda "não é coisa de homem" e todo esse papo meio machista.
Beijos
Deze
Seu blog é realmente ótimo, pretendo usar como alguma referencia em meu trabalho de conclusao, pois estudo moda. seria muito util se colocasse as referencias de onde retiraste o conteudo do blog, pois ele apresenta uma diversidade bem abrangente e material de pesquisa de grande utilidade para a disseminaçao de moda e cultura.Parabens!
Olá!
Que bom que apreciou o blog.
Bem, digamos que a referência de onde retirei o conteúdo do blog sou eu mesma. Sou formada em moda há 6 anos, com um trabalho sobre moda alternativa e o blog é minha constante pesquisa, análise e visão pessoal. é um blog único realmente, só eu faço esse trabalho aprofundado aqui no Brasil justamente porque sou formada em Moda.
As únicas fontes que utilizo são para os textos que elaboro sobre história da moda, sendo os livros, os mais óbvios que existem pra quem estuda moda: História do Vestuário, A Roupa e a Moda, Fetiche, A Linguagem das roupas, A Moral da Máscara e no caso de subculturas, os livros de Ted Polhemus e alguns sobre a subcultura gótica.
Os editoriais tem fonte como você pode ver, faço questào de sempre colocar a revista e a data. Agora, todo o resto é pesquisa, análise, idéias e visões pessoais. Túdo sai de minha cabeça.
Obrigada pela visita.
Att,
Sana
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