O Verão é a estação que alguns alternativos não curtem, pois o clima não favorece determinado tipo de roupa. Alguns de nós preferem clima mais frio ou até mesmo evitam o sol com o intuito de se manterem pálidos. Mas essa não é a realidade de todos! E para quem desconfia, entrevistamos a Soraya Marx, carioca de 29 anos que trabalha como influenciadora digital e modelo fotográfica. Através do seu blog Mistureba Chic (agora chamado SorayaMarx), é visto a perfeita harmonia entre o encontro do visual street com o lifestyle praiano do Rio. Por isso, fomos trocar ideias com ela sobre tais temas e veja como ficou o resultado!
Você se identifica com alguma subcultura? Que tipo de música gosta?
Acho que toda subcultura tem algum atrativo, mas não tem nenhuma específica que seja tão presente em mim. Música pra mim vai um pouco de tudo: jazz, rock, pop, eletrônico... Acho que só mesmo sertanejo, axé e funk ficam de fora por completo, o importante é a qualidade musical.
Você não faz parte de uma subcultura específica, mas segue a moda do Sereismo. O que é esse movimento? É um estilo de vida ou só estética?
Então, a questão do sereismo pra mim começou na área de beleza/minha ligação com o mar, porque na época as pessoas viam minhas fotos com cabelo azul pegando onda ou só nadando e até me deram um apelido brincando com meu nome, "Sereya". Por coincidência, não muito tempo depois o sereismo entrou no mundo da moda e beleza, quando muita gente começou a se utilizar de tinta fantasia de cores azul e verde (que remetem ao mar) e roupas com estampas de conchas, animais marinhos, paetês, etc. Mas pra mim é mais um estilo de vida que qualquer coisa, é o amor e respeito pelo mar e pela praia. Adoro surfar, fazer mergulho de apneia ou com cilindro. Dou pelo menos um mergulho to-do di-a! Eu sinto uma conexão muito forte com a água (pra quem acredita em signo talvez esteja aí a explicação: sou canceriana, hahaha), uma das piores fases da minha vida foi quando fiz uma hérnia de disco e tive que ficar longe do mar por muuuito tempo, afinal cresci na praia conhecendo todos os pescadores da área, que me traziam estrelas do mar de presente. Existe o estilo seapunk e curto alguns elementos dele, mas pra mim, o "sereismo" vai muuuuito além da aparência.
Analisando suas mídias, o que se vê é uma garota solar, algo não muito, digamos, comum para quem se identifica com o universo alternativo no Brasil. Você também possui um lado noturno, obscuro, curte temas darks, vampirismo, bruxaria?
Como a maioria das adolescentes também tive minha fase mais "dark", inclusive no modo de me vestir (já fui de me vestir toda de preto, raspar a sobrancelha e ter uns 7 piercings na cara!) porém não é algo que continuou me atraindo depois de alguns anos. Ainda curto músicas desse naipe, seriados de TV e afins, mas nada disso se faz presente no meu estilo de vida.
Como a maioria das adolescentes também tive minha fase mais "dark", inclusive no modo de me vestir (já fui de me vestir toda de preto, raspar a sobrancelha e ter uns 7 piercings na cara!) porém não é algo que continuou me atraindo depois de alguns anos. Ainda curto músicas desse naipe, seriados de TV e afins, mas nada disso se faz presente no meu estilo de vida.
Muitas marcas de moda utilizadas por você são direcionadas a típica consumidora carioca que frequenta praia. Quais produtos essas empresas oferecem que lhe atrai? Como consegue encontrar peças em marcas mainstream que se adequam ao seu estilo alternativo?
Acho que a quantidade de tatuagem que levo no corpo já faz qualquer tipo de roupa se tornar um pouco mais alternativa. Realmente só não sou muito chegada em peças muito "menininha" como por exemplo: cor de rosa, babados, saia de pregas... Vou numa linha mais básica, apostando muito em peças pretas ou brancas e gosto de modelagens mais modernas, com recortes diferentes. Mas nada disso é regra, eu vou muito de acordo com meu humor.
Peças básicas mas com estilo moderno!
Já sofreu alguma violência física ou verbal por causa da estética? Acha que os cariocas são tolerantes com quem tem um visual diferente?
Sofri com isso quando era mais nova, na época de colégio quando a galera ainda estava crescendo e tentando se descobrir. Claro que ainda noto uns olhares estranhos, mas isso de gente uma ou duas gerações acima da minha ou de... Bem, babacas acéfalos, hahaha! Não dá pra responder de outra forma! Tenho amigos de todos os estilos e todo mundo se dá bem sem faltar com respeito nunca.
As tatuagens nunca interferiram em arranjar emprego?
Minhas tatuagens interferem até hoje em arrumar emprego, já ouvi diversas vezes "a gente queria você no comercial, maaas... Estamos procurando por alguém sem tatuagem (ou com menos)", mas tudo tem dois lados! Muitas vezes me chamam pra trabalhos exatamente por causa das tattoos, então digo que no fim tá equilibrado.
Sobre sua idade, sente alguma mudança na visão do mundo nessa faixa etária, algum reflexo do age appropriate? Sofre algum conflito entre ter o estilo jovem e cobranças sociais para apresentar uma estética "adulta"?
Não sinto nenhum conflito provavelmente por não trabalhar com algo que exija essa estética "adulta", não sou obrigada a me vestir formalmente no dia a dia e em eventos também me mantenho fiel ao meu estilo, muitas vezes eu sou a única de calça jeans rasgada no meio de 200 vestidos florais. Se em algum momento me cobrarem algo diferente do que sou, simplesmente vou deixar de comparecer e continuar meu trabalho do meu jeito.
Sereia urbana: mais importante do que "age appropriate" é ser fiel à si mesma.
Sente falta de marcas alternativas voltadas à moda praia e fitness?
Por prezar por um estilo mais basicão não sinto tanta falta, a única coisa que realmente não encontro por nada é uma canga que não seja estampada (já bastam as tatuagens, né! hahaha), mas recentemente ganhei uma listrada P&B que me fez bem feliz.
Short com aparência de couro vai à praia sim!!
Você faz trabalhos como modelo alternativa. Já era envolvida antes com moda? O que acha dos bastidores desse mercado?
Comecei como modelo bem nova, antes mesmo de ter tatuagens e quase terminei a faculdade de Design de Moda. Realmente é um mundo completamente à parte de mim, faz um tempo que parei de cobrir semana de moda por não me identificar com tanto ego pra pouco calor humano entre pessoas que só se importam com flashes. A galera bacana mesmo desse tipo de evento por exemplo é quem tá suando: o pessoal da produção em geral, jornalistas sérios, fotógrafos... Obviamente que dentro do nicho alternativo a coisa é mais leve e a maioria das pessoas são sensacionais, talvez seja exatamente por não fazerem parte do mainstream.
Comecei como modelo bem nova, antes mesmo de ter tatuagens e quase terminei a faculdade de Design de Moda. Realmente é um mundo completamente à parte de mim, faz um tempo que parei de cobrir semana de moda por não me identificar com tanto ego pra pouco calor humano entre pessoas que só se importam com flashes. A galera bacana mesmo desse tipo de evento por exemplo é quem tá suando: o pessoal da produção em geral, jornalistas sérios, fotógrafos... Obviamente que dentro do nicho alternativo a coisa é mais leve e a maioria das pessoas são sensacionais, talvez seja exatamente por não fazerem parte do mainstream.
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| Foto: Fernando Filho - Costume/Make Up: Andrea Mafer |
E por último, o que te motivou a ter um blog? Curte o lado superficial que se transformou ou gosta do cunho pessoal que a blogosfera tinha inicialmente?
Eu tive um Fotolog que fez seu sucesso e logo que os blogs começaram a surgir a galera que me acompanhava pedia pra criar um, porém sempre hesitei por achar que era um bicho de 7 cabeças e, só anos depois resolvi criar um sério (fui colaboradora em outros antes disso) por sentir falta da troca que a internet proporciona. Então obviamente esse lado superficial me incomoda muito, sempre digo que sei a fórmula do sucesso pra um blog/instagram/etc bombar mas me recuso a vender minha alma, meu eu. Prefiro inclusive recusar muitas parcerias e publicidade pra manter ele fiel a quem sou e a minha "missão" com ele: inspirar outras pessoas a se aceitarem e serem felizes assim. Sou uma guria bem tatuada que tacham de roqueira mas é rata de praia e troca qualquer festão por uma manhã pegando onda. Podem achar estranho mas vou te contar que não é tão incomum assim, a galera só precisa abrir mais os horizontes e sair da sua zona de conforto. ;)
Soraya é uma mulher de atitude e com autenticidade - coisas que admiramos - que acham de a elegermos a musa inspiradora deste verão? ;D











Adoreeeeei ver a Soraya por aqui. Acompanho o blog dela há muito tempo e a admiro exatamente por não se prender a nada, ser autêntica. Com certeza ela é uma musa inspiradora deste verão :D
ResponderExcluirOi Andréia!
ExcluirQue bom que gostou!! Adoramos o fato dela fugir dos padrões do que é considerado alternativo aqui no Br. :D
Bjs!!
Comecei a acompanhar ela no IG ano passado, o estilo dela é maravilhoso mesmo ♥
ResponderExcluirBjs
Diva de Brechó
Geovana, que legal!! O IG dela é super solar, bem "pra cima" :D
ExcluirFaz um tempo que o blog vêm mostrando mais tendências "alternativas" do que analisando subculturas como antigamente. Nada contra a entrevistada nem as donas do blog, mas ando super decepcionada com o conteúdo do blog :/ Não discriminando nem nada do gênero mas sinceramente, esse alternativismo muito eclético "ouço tudo menos sertanejo, pagode e funk" que mistura tudo e segue tendências de tumblr não era o assunto que vinha buscar aqui. Já achava que tava meio que perdendo o foco, com aquele post sobre ursinhos carinhosos na moda "alternativa" percebi que o foco mudou pra esse tipo de alternatividade que não pertence à nenhuma subcultura e só reflete tendências de instagram e etc, tipo "sereismo", "pastel goth" e semelhantes. Quando começaram posts sobre essas coisas achei interessante porque tinham uma pegada mais de explicar de que subculturas essas coisas estavam pegando elementos, o que era exatamente aquilo e de onde tinha surgido... O seapunk por exemplo, não é uma subcultura propriamente dita, mas teve uma tentativa ali, tinha música própria, foi meio organizado apesar de não ter vingado além de todas as pessoas semi alternativas estarem usando colorido e cabelo azul/verde pastel.
ResponderExcluirMas todos esses posts recentes estão com uma vibe tão Lindsay Woods! Eu nem tenho nada contra ela, inclusive vejo uns videos dela às vezes, mas ela é só uma menina de 2016 que segue tendências "alternativas" atuais como muitas outras pessoas e nem tem gosto musical direito além do pop que todo mundo tá ouvindo. Sei lá, tem isso hoje em dia, essa alternatividade "rasa", no sentido de ser alternativo porque tem cabelo colorido e coloca coleiras, usa pentagramas mas que está apenas um nível a menos de normalidade que as pessoas "normais" porque é só OUTRA tendência. Geralmente são pessoas que curtem mais moda, sem fazer parte de nada de fato, e que a cada mudança de tendência "alternativa" mudam junto. Não é dizer que dentro das subculturas não existem tendências ou que os membros não são afetados por tendências externas. Por exemplo: 1- dentro de uma subcultura podem exstir tendências próprias. Na subcultura gótica nos anos 80 as pessoas usavam cabelo tipo robert smith, depois com a influência do tal do "gothic metal" a tendência era cabelo longo preto e liso. OU 2- Pessoas de uma subcultura serem afetadas por tendências mainstream como hoje em dia que a tendência de batons é matte então as pessoas de todas as subculturas gostaram e usam batons matte, na maioria.
Mas esse tipo de alternatividade "rasa" que eu falo é só um outro mainstream, um mainstream com visual de cabelos coloridos, botas plataformas e símbolos ocultistas. Um gótico não deixa de ser gótico se a tendência desse outro mainstream for ser Lolita, por exemplo. Mas as pessoas dessa outra alternatividade não vão mais curtir cabelos pastel e batom escuro assim que essas tendências mudarem de sereismo pra, digamos, 60's revival. Elas vão no curso de alguns meses migrar pro estilo atual do mainstream alternativo.
Não estou dizendo que algumas pessoas são melhores do que as outras ou nada do gênero, mas como o blog é Moda de Subculturas, achei que aqui fosse um espaço pra discussão de coisas pertinentes à subculturas e eventualmente discutir como alguns desses "estilos" novos estão se apropriando de ítens e símbolos de Subculturas.
Só um desabafo e uma tentativa de crítica construtiva e abrir uma discussão sobre um assunto que considero interessante vindos de uma pessoa que adora o blog, espero que ninguém se sinta ofendido com nada que escrevi. Ainda venho quase diariamente no blog e acompanho, mas venho me interessando cada vez menos pelo conteúdo postado. Dia desses estava lendo alguns posts antigos porque algo me lembrou de um post que tinha lido aqui e percebi a diferença do conteúdo de antes pra agora :/
Que legal, não conhecia o trabalho dela. Super curti!
ResponderExcluirQue bom Daise, ela foi super simpática com a gente e ainda faz um trabalho legal! ;D
ExcluirQue lindaaa!! Amei! *-*
ResponderExcluirVou já conhecer o blog e redes sociais ^^
Sobre o que ela falou de ter ligação com a água, trocar uma noite de festa por um dia na praia, sereismo ir muito além das aparências, amor pelo mar e tal eu só queria dizer que super concordo. Diferentemente dela cresci longe da praia e vou pouco, tipo uma vez no ano, porque moro longe, mas mesmo assim me sinto como ela... deve ser coisa de sereia, né!? haha
bjin
http://monevenzel.blogspot.com.br/